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O condicionamento clássico ou condicionamento
respondente é um processo que descreve a criação e a
modificação de alguns comportamentos com base nos
efeitos do binómio estimulo-resposta sobre o sistema
nervoso central dos seres vivos. Foi o fisiólogo Russo
Ivan Pavlov quem, pela primeira vez, teorizou e enunciou
o mecanismo do condicionamento clássico.
A ideia básica do condicionamento clássico consiste em
que algumas respostas comportamentais são reflexos
incondicionados, são inatas em vez de aprendidas,
enquanto que outras são reflexos condicionados,
aprendidas através da associação com situações
agradáveis ou desagradáveis, aversivas, apresentadas em
simultâneo ou imediatamente a seguir. Através da
repetição destas associações é possível criar ou remover
respostas fisiológicas e psicológicas em seres humanos e
animais. Esta descoberta possibilitou o desenvolvimento
da psicologia comportamental e mostrou ter ampla
aplicação prática.
Para se conseguir um condicionamento efetivo é
necessário que o estímulo condicionado preceda o
estimulo incondicionado, que não coexistam estímulos
ambientais inibidores e que haja repetição periódica do
condicionamento.
Quando o estimulo condicionado é apresentado sem a
associação do estimulo incondicionado ocorre a extinção
do condicionamento, a sua recuperação acontecerá logo
que aconteça, novamente, a associação entre eles.
No ensino do cão o condicionamento clássico é uma
ferramenta muito poderosa, porque permite trabalhar
diretamente sobre as emoções do animal. Na prática, o
principio do ensino consiste em fazer com que o cão
associe coisas agradáveis - comida, jogos, festas,
elogios etc. - a pessoas, animais, ambientes e a
situações incómodas e desconfortáveis para o animal.
No dia a dia podemos ver imensos exemplos de
condicionamento clássico com cães:
- Cães que correm para a porta de entrada do apartamento
quando ouvem o carro do dono a chegar perto de casa;
- Cães que se escondem debaixo da mesa da sala, quando o
dono chega a casa, porque fizeram as necessidades no
sitio errado, provocando a sua ira;
- Cães que correm para junto da mesa de refeições, à
hora de jantar, porque alguém reparte com a ele parte da
refeição.
Usamos, ainda, o condicionamento clássico para criar a
chave do ensino em positivo, o reforçador
condicionado.
O condicionamento clássico permite ainda o
contra-condicionamento. Uma resposta aprendida pode
reverter-se pelo mesmo processo.
Imaginemos um cão que aprendeu a ser agressivo para
pessoas, estranhas, porque foi, por elas, mal tratado.
Poderemos modificar esta resposta se, sempre que o cão
tiver contato com estranhos, acontecer algo agradável. O
processo de contra condicionamento é usado para
modificar comportamentos emocionais socialmente
inaceitáveis e trabalha-se conjuntamente com a
dessensibilização.
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